
Um dia vou deixar de me importar.
"Como todos os grandes apaixonados, gosto da delícia da perda de mim, em que o gozo da entrega se sofre inteiramente. E, assim, muitas vezes, escrevo sem querer pensar, num devaneio externo, deixando que as palavras me façam festas"

Eu sonho que sonho, o que importa,
Se é nessas horas que me tenho?
Sai daqui assombração morta!
Sai daqui, tu e o teu engenho.
Leva de mim tudo, toda esta corda,
Todo este mundo em que me empenho.
O dia acabou, sem corda me enforca
Assim eu mato a sorte no que ganho.
Eleva-te daqui e leva esta guarida.
Deixa-me no último pulsar de ar
E pisar de vez toda esta vida.
Eu sonho que sonhei! Que me importa?
Silêncio! Escuto-me chamar!
Agora ouço o meu nome desta porta.
