Domingo, Julho 12, 2009


Um dia vou deixar de me importar.


Terça-feira, Abril 21, 2009

"Fecho, cansado, as portas das minhas janelas, excluo o mundo e um momento tenho a liberdade. Amanhã voltarei a ser escravo; porém agora, só, sem necessidade de ninguém, receoso apenas que alguma voz ou presença venha interromper-me, tenho a minha pequena liberdade, os meus momentos deexcelsis.
Na cadeira, aonde me recosto, esqueço a vida que me oprime. Não me dói senão ter-me doído."

Bernardo Soares - Livro do Desassossego


Domingo, Abril 19, 2009

...


não sei o que fazer

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Menina dos olhos


A menina dos meus olhos! Aqui, assim,
Abraça os meus braços docemente,
Afaga o meu corpo, luta fortemente,
Beija-me num beijo quente sem fim.

Menina dos meus olhos, junto a mim!
O meu escudo fraqueja alegremente,
Acalma-me o fôlego, alma de inocente,
Olha-me as mãos suaves como alecrim.

Olhos meus, teus, que em ti pus,
Menina dos meus olhos, da minha luz,
Tudo em ti é fonte de desejos!...

Menina dos meus olhos, quanta vontade,
De te sentir perto, com a saudade,
E de partilhar todos os teus beijos.

Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

Para eu ver

Morte aos meus sonhos! Tema vago,
Que tantas vezes eu vou dizendo.
Apaguem os cansaços, fogo ao achado,
Queimem tudo e deitem ao vento!

Tudo é magia nas mãos de um mago,
E tudo é escrita se eu for lendo.
Reciclem o que digo, tudo é malfadado,
Tudo é tirado do que vou vendo.

Morte ao sonho que eu sou maltratado!
Quiseram-me roubar! Roubaram cisco!
Tiraram do chão o pouco já pisado.

E se um dia alguém quiser de mim viver,
Outros virão roubar do meu feitiço,
Os outros serão a gente para eu ver.

Quarta-feira, Dezembro 03, 2008

Restos de caminhos


Eu sonho que sonho, o que importa,

Se é nessas horas que me tenho?

Sai daqui assombração morta!

Sai daqui, tu e o teu engenho.


Leva de mim tudo, toda esta corda,

Todo este mundo em que me empenho.

O dia acabou, sem corda me enforca

Assim eu mato a sorte no que ganho.


Eleva-te daqui e leva esta guarida.

Deixa-me no último pulsar de ar

E pisar de vez toda esta vida.


Eu sonho que sonhei! Que me importa?

Silêncio! Escuto-me chamar!

Agora ouço o meu nome desta porta.

Terça-feira, Outubro 14, 2008

O meu sonho


O meu amor é uma ave sem sono
Sol poente de mim que eu vejo.
Suor da minha febre que almejo.
E com ternura ainda de sem dono.

Voz da minha voz, em pleno trono.
Com altiva beleza que eu invejo.
Oh Deus! Dai-me de novo o rejo,
Dai-me a mim um sonho novo.

Mas eu... cheio de dores me arrasto,
Palavra após palavra me atiro o mastro,
E deixo o meu navio cair no peito.

Asas da minha ave! Eu vou privando,
E sem saber... à sorte vou desafiando,
E morro sozinho sem ter um leito.

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